Viver é sentir — agora
Um convite a não esquecer de sentir em primeiro plano
No alto do Corcovado, ao me deparar com o Cristo Redentor, as lágrimas brotaram, sem que eu conseguisse controlar... Escondida sob as lentes dos meus óculos escuros, cercada de pessoas amontoadas em busca do close perfeito, enquanto minha amiga tentava um ângulo perfeito para me fotografar, nos intervalos entre os takes eu tentava respirar fundo e apenas apreciar... Diante da magnitude do presente que se agigantava diante de mim- uma das sete maravilhas do mundo, a paisagem estonteante vista lá de cima, as lágrimas insistiam em borrar minha maquiagem... eu percebia instantaneamente: como é bom estar viva pra ver e viver isso...
Dias antes, no meio da torcida do meu time do coração, mesmo que em um número bem reduzido, eu gritava, vendo pela primeira vez meu time jogar... A sensação de: “por favor não me belisque e não me acorde se for um sonho” me abraçava, me trazendo arrepios...
Ter a oportunidade de junto com amigas de trabalho de participar de um seminário internacional sobre algo que nos move, adquirir um conhecimento que iremos levar pra nossa vida e que nos mudou por completo trouxe novos ares ao meu peito, me impulsionando a dar o meu melhor no que eu me propor a fazer profissionalmente...
Tudo isso me ensinou sobre sentir...
Sentir por completo...
Enquanto vivenciei cada um desses momentos, dentro de mim, pulsava gratidão... Além de ser grata, enxerguei algo importante sobre viver e realizar sonhos: sentir não deve ser segundo plano... as vezes a gente prepara tudo pra capturar boas memorias com as câmeras de nossos celulares, para tornar momentos inesquecíveis, e esquecemos de estar de corpo e alma nesses momentos... No jogo do Botafogo, meu cel estava prestes a descarregar, e tentei tirar fotos ao fim pra registrar essa memória – as fotos não ficaram tão boas... Eu poderia me chatear, e por um lado até bateu uma chateação, mas o melhor close não se compara com a sensação de ter vivido a sensação de ver um gol do meu time pela primeira vez (jamais esquecerei, Alvaro Montoro).
Em The Office, a Pam e o Jim, registraram com as câmeras invisíveis os momentos de que jamais gostariam de esquecer do dia mais importante de suas vidas. Quero, como eles, não deixar de registrar em meu coração minhas memorias. Quero senti-las tão intensamente, sem medo de parecer ridícula, ou boba... se precisar gritar, eu grito. Se precisar chorar, eu choro... Não quero me conter de viver...
Já sabotei o meu presente enchendo-o de expectativas frustradas, já deixei o medo roubar a sensação de estar inteira vivenciando algo, mas, ao falar com quem quer que vá ler esse texto, quero deixar claro que lutarei com afinco pra viver...
Esse texto é um lembrete: a vida boa. Os sonhos podem se realizar. Existe uma imensidão de momentos para vivermos e desfrutarmos, sem deixar que o medo ou a performance roube de nós o mais importante: o presente e nossa capacidade de desfrutá-lo.
No filme que eu mais amo na vida (e sim, eu já falei dele em quase todos os textos), o Mr. Keating diz para os garotos aproveitarem o dia, o famoso Carpe diem. Aproveitar o dia, extrair dos momentos vividos a sua essência, viver o hoje com vontade, sem corpo mole, sem distrações, sem mascaras. Viver, sabe? De verdade...
É bom viver, as vezes é bom lembrar. Que nenhuma dureza na vida, dor ou circunstancia ruim nos engane e tire de nós o real apreço pelo simples e pelo hoje.


